Pratique
Quando fé e maturidade seguem caminhos diferentes
Uma das partes mais difíceis de ser ferido por alguém que fala de Deus com tanta convicção não é apenas a dor em si. É perceber que você confiou no que a fé daquela pessoa parecia revelar sobre quem ela era. E, quando essa imagem se desfaz, você não lamenta apenas a perda de um relacionamento - lamenta também o significado que havia atribuído a ele.
Você já olhou para trás e percebeu que confiou em alguém, em parte, por causa daquilo que a fé dessa pessoa parecia revelar sobre ela? Talvez não de maneira consciente. Mas, em algum lugar sob a superfície, sua devoção parecia uma evidência de que ela era segura, digna de confiança e pouco provável de causar o tipo de dor que você acabou experimentando.
A Sabedoria de Hoje
Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica.1 Coríntios 8:1 (ARC)
Uma das lições mais dolorosas que muitas pessoas aprendem é que fé e maturidade estão relacionadas, mas não são a mesma coisa.
Muitas vezes presumimos que, porque alguém fala com sabedoria sobre Deus, essa pessoa também compreende a si mesma. Porque conhece as Escrituras, deve saber lidar com as pessoas. Porque demonstra devoção, deve ser emocionalmente saudável.
Paulo, porém, chama nossa atenção para uma realidade que continua verdadeira hoje: conhecimento e amor não são a mesma coisa.
O conhecimento pode aumentar sem que a humildade cresça junto. As convicções podem se fortalecer sem que haja maior percepção de si mesmo. O compromisso religioso pode se aprofundar enquanto medos, inseguranças e padrões prejudiciais nos relacionamentos permanecem praticamente intocados.
É por isso que algumas das feridas mais profundas vêm de pessoas cuja fé parecia genuína. Sua devoção pode realmente ter sido sincera. O que talvez estivesse menos desenvolvido era sua capacidade de amar os outros com a paciência, a humildade e o cuidado que a fé deveria produzir.
Para muitas pessoas, a cura começa quando deixam de perguntar: “Será que tudo foi falso?” e passam a fazer outra pergunta: “Que expectativas eu associei à fé dessa pessoa?”
Muitas vezes, a resposta revela uma suposição escondida: a de que conhecimento espiritual garante segurança nos relacionamentos.
Não garante.
O que constrói confiança não é apenas aquilo que alguém acredita sobre Deus. É a maneira consistente como essas crenças moldam o modo como essa pessoa trata aqueles que foram confiados aos seus cuidados.
Um Princípio
Fé e maturidade muitas vezes crescem juntas, mas nem sempre crescem no mesmo ritmo. Uma pessoa pode amar sinceramente a Deus e, ainda assim, carregar medos, pontos cegos e padrões de relacionamento que influenciam a maneira como trata os outros.
Uma Prática
Da próxima vez que você voltar mentalmente àquilo que aconteceu, tente substituir a pergunta “Será que tudo foi falso?” por “Que parte do caráter dessa pessoa eu ainda não tinha enxergado?” Às vezes, a cura começa quando a confusão dá lugar a uma compreensão mais clara de quem aquela pessoa realmente era - e de quem você acreditava que ela fosse.
- Alvin