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Por Alvin Ellefson
Raramente questionamos a ambição quando ela está funcionando. Progresso, disciplina e conquistas são fáceis de celebrar porque são visíveis. Mais difícil é reconhecer aquele momento em que você finalmente alcança algo que desejou por anos e sente quase nada - não exatamente decepção, mas a silenciosa suspeita de que aquele objetivo carregava uma promessa que nunca poderia cumprir.
Você não teme apenas ter desperdiçado esforço; teme que suas conquistas revelem o quão pouco elas realmente conseguem dizer sobre quem você é. A inquietação surge quando você percebe que o sucesso pode continuar deslocando a linha de chegada sem jamais satisfazer a necessidade mais profunda que existe dentro de você. O que antes parecia direção pode, aos poucos, se transformar em pressão, porque cada realização começa a exigir outra. O objetivo lhe deu energia, mas também o ensinou a acreditar que a paz chegaria mais tarde.
Isso cria um conflito interno difícil de admitir. Você pode ser grato, disciplinado e responsável, e ainda assim sentir-se inquieto diante do fato de que as conquistas não trazem a tranquilidade que prometem. A questão não é se o trabalho teve valor, mas se você atribuiu a ele uma autoridade que nunca deveria ter tido. Por trás da sua determinação pode existir o medo de que, sem o próximo marco, você não saiba mais como medir o seu próprio valor.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito e que proveito nenhum havia debaixo do sol.Eclesiastes 2:11 (ARC)
Eclesiastes dá nome ao vazio que aparece depois da conquista, não antes dela. O livro não trata o trabalho como algo sem propósito, mas também se recusa a fingir que o trabalho pode se tornar eterno. Deus revela que a vida “debaixo do sol” tem limites, mesmo quando é produtiva, admirável e fruto de esforço honesto. A tragédia não está no esforço em si, mas na expectativa do coração de que as realizações possam dar permanência a uma vida que somente Deus é capaz de sustentar.
Isso expõe um equívoco que muitas pessoas carregam em silêncio. Frequentemente tratamos o sucesso como se ele finalmente fosse confirmar que somos suficientes, que nossa vida tem valor e que toda a nossa luta valeu a pena. Mas quando a conquista chega e a dor continua presente, fica evidente que o resultado nunca foi forte o bastante para sustentar nossa identidade. Eclesiastes oferece palavras para esse anseio sem condená-lo.
O sucesso pode até parecer uma perda quando não entrega aquilo que secretamente esperamos dele. Uma promoção, um reconhecimento, um projeto concluído ou uma meta aguardada por muito tempo ainda podem ser significativos, mas não podem ocupar o lugar mais importante. Deus não está retirando o significado das realizações humanas; Ele está devolvendo cada coisa ao seu devido lugar. O trabalho pode ser recebido como um presente, mas se torna um peso quando precisa provar que sua vida tem valor.
Aquilo que você usa para provar que sua vida tem valor acabará se tornando justamente o que rouba o significado dela.
Tudo começa quando as conquistas deixam de ocupar um espaço tão grande, sem perder sua importância. Você pode trabalhar com dedicação sem exigir que o seu trabalho defina quem você é. Pode perseguir objetivos sem acreditar que o próximo resultado finalmente lhe trará paz. Essa mudança transforma a maneira como você lida tanto com o sucesso quanto com a espera, porque nenhum dos dois passa a ter a palavra final sobre sua identidade.
Na prática, isso pode significar perceber quando a ambição já não está servindo à fidelidade, mas alimentando o medo. Pode significar celebrar o progresso sem exigir imediatamente uma nova prova do seu valor. Também pode significar permitir que o silêncio revele aquilo que a busca constante por resultados tem ajudado você a evitar. O objetivo não é se importar menos, mas deixar de exigir das conquistas aquilo que somente Deus pode carregar.
Existe um tipo específico de cansaço que nasce da necessidade constante de provar que sua vida tem valor. Ele pode se esconder atrás da disciplina, da produtividade e da responsabilidade, o que o torna difícil de reconhecer. Mas a alma percebe quando está vivendo sob o peso de uma promessa falsa.
Que conquista você tem esperado que responda uma pergunta que ela nunca foi capaz de responder?
Permita que essa pergunta permaneça por um momento, sem pressa para encontrar uma solução, porque talvez seja na honestidade que a paz comece a retornar.
Seu trabalho pode ter valor sem se tornar o fundamento da sua identidade. Sua ambição não precisa desaparecer, mas precisa ser libertada do peso de defini-lo. Quando o sucesso deixa de ser necessário para resgatar seu senso de valor, ele pode se tornar algo mais saudável: uma expressão de mordomia fiel, e não de autoproteção.
- Alvin Ellefson
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