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Por Alvin Ellefson
Você pode permanecer calmo em meio à crise, responsável no caos, firme sob pressão - e ainda assim se sentir abalado diante da morte. Essa contradição pode ser desconcertante. Você consegue lidar com incertezas em outras áreas, então por que a morte parece diferente? Porque ela chega sem o seu consentimento.
Talvez o seu medo não esteja centrado apenas no ato de morrer, mas em ser forçado a abandonar a ilusão de que algum dia esteve realmente no controle. A morte assusta porque expõe o quanto a vida sempre foi incerta, impossível de administrar completamente e além do seu alcance. Você pode organizar seus dias, tomar decisões responsáveis, proteger o que ama e, ainda assim, enfrentar uma realidade que não se curva aos seus esforços. É isso que torna a morte diferente das incertezas comuns. Ela confronta a parte de você que só se sente segura quando a vida parece administrável.
A luta não está apenas no fato de que a vida termina, mas em não poder controlar quando, como ou o que ficará inacabado. Essa falta de controle pode fazer até mesmo uma pessoa firme se sentir exposta. Por trás do medo existe uma percepção dolorosa: responsabilidade nunca foi o mesmo que soberania. Talvez você tenha confundido confiabilidade com domínio. A morte revela a diferença.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.Eclesiastes 3:11 (ARC)
Este versículo mostra que Deus deu ao ser humano duas tensões ao mesmo tempo: um anseio pela eternidade e limites no entendimento. Você sente que existe algo além desta vida, mas não consegue compreender ou dominar toda a história do começo ao fim. O seu medo, portanto, não é prova de falta de fé; talvez seja justamente evidência de que a eternidade foi colocada dentro de você. Deus não despreza esse anseio nem faz você se sentir culpado por carregar esse peso. Ele lhe dá consciência suficiente para perceber que a vida é maior do que aquilo que você consegue enxergar, mas não lhe dá controle suficiente para administrá-la longe dEle.
É aqui que surge um equívoco profundamente humano. Presumimos que a paz virá quando conseguirmos explicar tudo, prever tudo ou nos preparar para cada possível resultado. Mas a morte não aceita esse acordo. Ela expõe os limites da análise, do planejamento e da força emocional. Quando o controle se torna sua fonte de segurança, o mistério começa a parecer ameaça. O versículo confronta gentilmente esse instinto ao mostrar que limitação não é fracasso; é parte da condição humana diante de Deus.
Isso não remove a dor da mortalidade, mas redefine onde a paz pode ser encontrada. Você não foi chamado para carregar toda a linha do tempo em sua mente. Você foi convidado a confiar naquele que sustenta aquilo que você não consegue compreender do começo ao fim. O medo começa a perder força quando perguntas sem resposta deixam de ser tratadas como prova de que você está em perigo. O entendimento de Deus não é ameaçado pelos lugares onde o seu termina.
O medo se intensifica quando você exige controle de uma vida que foi criada para exigir confiança.
A mudança começa quando você para de interpretar o medo como algo que precisa ser vencido por meio de mais controle. Em vez de tentar dominar cada pensamento sobre a morte, perceba o que esse medo revela sobre onde você tem colocado sua segurança. Isso pode transformar a maneira como você reage às incertezas da vida comum. Você não precisa fingir que nada o afeta, mas também não precisa obedecer a toda exigência ansiosa por certezas. É possível fazer planos com sabedoria sem transformar o planejamento em refúgio. Você pode lamentar os limites do seu entendimento enquanto entrega sua vida a Deus. Com o tempo, confiança deixa de significar ausência de medo e passa a significar a recusa em transformar o controle no seu deus.
Considere a possibilidade de que o seu medo não esteja apenas relacionado à morte, mas ao colapso do controle. Isso não torna o medo superficial; torna-o honesto. É profundamente inquietante perceber que a vida nunca esteve totalmente em suas mãos. Mas existe alívio escondido nisso: aquilo que nunca esteve sob seu controle também nunca foi algo que você deveria carregar sozinho. O que significaria parar de exigir certezas antes de se permitir viver em paz?
A morte parece diferente porque alcança as partes da vida que você não consegue organizar. Ela lembra você de que a força humana tem limites e de que o controle nunca foi feito para ser seu fundamento. Mas os seus limites não significam abandono. Eles podem se tornar o lugar onde a confiança finalmente se torna real.
- Alvin Ellefson
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