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Por que a Decepção e a Bondade de Deus se Confundem

Por Alvin Ellefson

É inquietante perceber como um desejo não realizado pode rapidamente se tornar algo maior. O que começa como tristeza por uma decepção específica, aos poucos se transforma em uma pergunta que paira sobre tudo o que você pensava saber sobre o cuidado de Deus. E, quando essa pergunta cria raízes, pode se tornar difícil enxergar qualquer outra coisa.

A dor mais profunda não é apenas perder aquilo que se esperava, mas sentir como se a decepção tivesse se tornado um veredito sobre a bondade de Deus. No início, a própria perda parece ser o centro da luta. Uma oração fica sem resposta, uma oportunidade se fecha, um relacionamento muda, ou o resultado tão esperado nunca chega. A dor é real, mas por baixo dela outra pergunta começa a surgir em silêncio: se Deus é bom, por que isto parece tão vazio, confuso ou inacabado?

O que torna a decepção especialmente difícil é que ela raramente permanece limitada a um único acontecimento. Um desejo não realizado pode, aos poucos, tornar-se uma lente pela qual todo o resto é interpretado. Em vez de simplesmente lamentarmos o que foi perdido, começamos a medir o cuidado de Deus pelo que está faltando. O silêncio começa a parecer ausência. A demora começa a parecer indiferença. A incerteza começa a parecer evidência de que algo está errado. A decepção já não diz respeito apenas ao resultado; ela se torna uma luta para confiar no que as ações de Deus parecem estar comunicando.

O que está em jogo é mais do que um resultado desejado. O que está sendo desafiado é a convicção de que a bondade de Deus continua sendo verdadeira mesmo quando não pode ser vista com clareza. O conflito mais profundo é se o Seu caráter ainda pode ser confiável quando as circunstâncias não oferecem nenhuma confirmação evidente. A decepção revela com que facilidade a confiança se apega a explicações, prazos e respostas visíveis, em vez de se firmar no próprio Deus.

Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti.
Isaías 26:3 (ARC)

Isaías associa a paz perfeita a uma mente firme porque a decepção pressiona continuamente o coração a colocar sua confiança em outro lugar. Quando as circunstâncias se tornam dolorosas ou confusas, a mente naturalmente procura estabilidade em resultados que possa ver, prever e compreender. Se a paz depende de circunstâncias favoráveis, então cada revés se torna uma ameaça a essa paz. O versículo aponta para outro fundamento. A paz cresce em uma mente que permanece fixa em Deus, não porque todas as perguntas foram respondidas, mas porque o Seu caráter continua digno de confiança, mesmo quando as circunstâncias são difíceis de interpretar.

Isso revela algo importante sobre Deus. Sua bondade não depende de visibilidade imediata. Muitas vezes presumimos que, se Deus é bom, Sua bondade deveria ser reconhecível de formas que façam sentido para nós agora. No entanto, as Escrituras apresentam repetidamente um Deus cuja fidelidade permanece intacta em tempos de espera, incerteza e aparente silêncio. Seu caráter não oscila conforme as circunstâncias. O que muda são nossas percepções, nossas expectativas e nossa capacidade de entender o que Ele está fazendo.

O mal-entendido oculto por trás da decepção é a crença de que a confiança deve vir depois do entendimento. Queremos evidências suficientes, clareza suficiente ou explicações suficientes antes de nos sentirmos seguros para confiar na bondade de Deus. Mas Isaías inverte esse padrão. A confiança não é a recompensa por termos todas as perguntas resolvidas. A confiança vem primeiro porque está ancorada em quem Deus é, e não no que vemos neste momento. À medida que a confiança permanece enraizada em Seu caráter, a paz vem em seguida - não porque toda incerteza desaparece, mas porque o coração deixa de exigir uma prova visível da bondade antes de crer que ela existe.

Quando a confiança depende do entendimento, a decepção rouba a paz; quando a confiança repousa no caráter de Deus, a paz pode sobreviver à incerteza.

A pressão por trás da decepção muitas vezes é a pressão de chegar a uma conclusão. Quando um resultado é doloroso, a mente naturalmente tenta determinar o que aquela dor significa sobre Deus. Ainda assim, a ausência de uma explicação não é o mesmo que a ausência da Sua bondade. Isaías aponta para uma paz que existe antes que o entendimento chegue. Isso desloca o foco de resolver cada pergunta para permanecer enraizado naquilo que já se sabe sobre o caráter de Deus.

As circunstâncias ainda podem parecer confusas, mas a confusão deixa de ser a autoridade final. A confiança permite que perguntas sem resposta permaneçam sem resposta, sem permitir que elas redefinam Deus. Ela cria espaço para reconhecer a incerteza sem transformar essa incerteza em um julgamento sobre o Seu caráter. Dessa forma, a paz sobrevive porque está ancorada em algo mais profundo do que a clareza.

A maioria das pessoas consegue identificar momentos em que a incerteza pareceu insuportável, não porque a pergunta em si fosse tão difícil, mas porque parecia exigir uma resposta imediata. Muitas vezes, o medo mais profundo está no que a pergunta sem resposta parece sugerir sobre Deus. É preciso honestidade para reconhecer como rapidamente o entendimento pode se tornar uma condição para confiar.

Que conclusões você tem sido tentado a tirar daquilo que ainda não consegue explicar? Que suposições sobre o caráter de Deus podem ter se formado silenciosamente na ausência de clareza? Às vezes, a luta não é a incerteza em si, mas o significado que permitimos que ela carregasse.

A decepção se torna especialmente poderosa quando nos convence de que aquilo que não conseguimos ver é mais confiável do que aquilo que já sabemos. Mas o caráter de Deus não é determinado pela nossa capacidade de interpretar corretamente o momento. Sua bondade permanece firme em meio a cada pergunta sem resposta, cada demora e cada tempo de incerteza. A paz começa a retornar quando a confiança se ancora ali, e não no resultado que esperávamos.

- Alvin Ellefson

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