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Quando aquilo pelo qual você agradeceu a Deus de repente desaparece

Por Alvin Ellefson

Você não perdeu apenas algo - perdeu algo que estava convencido de que deveria fazer parte da sua vida. Chegou no momento certo, parecia alinhado, até confirmado. E então desapareceu sem explicação. Agora você tenta entender como algo que parecia tão certo pôde terminar de forma tão abrupta. A perda já é difícil, mas o que ela sugere sobre tudo o que você achava que compreendia é ainda mais perturbador.

O que torna essa perda tão desorientadora não é apenas o fato de algo importante ter acabado, mas a sensação de que Deus se tornou inconsistente. Você não viveu apenas algo bom - acreditava que aquilo vinha d’Ele, que havia sido conduzido e sustentado por Ele. Quando tudo terminou sem aviso, não foram apenas as circunstâncias que se abalaram; foi a sua compreensão de como Deus age. O que antes parecia claro agora parece incerto, e essa insegurança fere mais profundamente do que a própria perda.

Por trás da dor existe um medo mais silencioso: o de que aquilo que Deus dá não pode ser confiado. Você assumiu que o presente era o objetivo final, quando talvez fosse apenas parte do que Ele estava fazendo. Essa ideia criou uma estrutura invisível dentro de você - se Deus concede algo, então aquilo deveria permanecer, ou ao menos fazer sentido caso termine. Agora essa estrutura está se rompendo. E você se vê questionando se entendeu Deus de forma errada o tempo todo, ou se Ele o conduziu a algo apenas para tirar tudo sem motivo.

O que está em jogo é mais do que a sua paz - é a sua confiança no caráter de Deus. Se algo que parecia tão guiado por Ele pode se desfazer tão rapidamente, o que significa confiar novamente? E se as ações de Deus não podem ser previstas nem explicadas, como seguir em frente sem sentir que tudo ficou instável?

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.
Isaías 55:8-9 (ARC)

Esta passagem confronta a ideia de que, se Deus é bom, então Suas ações deveriam ser imediatamente compreensíveis. Ela revela um Deus cuja sabedoria não é apenas maior do que a nossa, mas completamente diferente. Suas decisões não são apenas difíceis de entender - elas nascem de uma perspectiva que nós simplesmente não temos. Isso significa que a fidelidade de Deus não pode ser medida pelo quanto Suas ações correspondem às nossas expectativas ou aos nossos prazos.

Ela também expõe um mal-entendido sutil: tendemos a confundir clareza com bondade. Se algo vem de Deus, esperamos que faça sentido e possa ser explicado. Mas essa suposição desmorona diante da profundidade do texto. A intenção divina não depende da compreensão humana para ser real. A ausência de entendimento não significa ausência de propósito - apenas revela os limites da nossa visão.

O que parece um retrocesso talvez seja, na verdade, movimento dentro de um propósito amplo demais para ser avaliado do lugar onde você está. A perda não é necessariamente uma contradição do que veio antes, mas uma continuação que você ainda não consegue enxergar. Deus não está desfazendo algo nem reagindo ao acaso - Ele está agindo dentro de uma dimensão onde começo e fim coexistem, mesmo quando parecem impossíveis de reconciliar no meio do caminho.

Quando você transforma entendimento na prova da bondade de Deus, qualquer perda fará com que Ele pareça indigno de confiança.

Isso muda o foco da tentativa de decifrar o que aconteceu para examinar aquilo em que você tem baseado sua confiança. Em vez de perguntar: “Por que isso terminou se era algo bom?”, a pergunta mais profunda passa a ser: “Tenho dependido da clareza para me sentir seguro com Deus?” Essa mudança não elimina a dor, mas separa o caráter de Deus da sua capacidade de interpretar Suas ações. Você já não precisa de respostas imediatas para permanecer firme.

Na prática, isso significa permitir que situações não resolvidas existam sem forçar conclusões. Significa resistir à tentação de reescrever o passado como um erro apenas porque o resultado mudou. Também significa permanecer aberto à possibilidade de que aquilo que pareceu real e significativo não era falso - apenas incompleto. A confiança deixa de depender dos resultados e passa a permanecer firme mesmo quando os resultados contradizem as expectativas.

Com o tempo, isso produz um tipo diferente de estabilidade. Não uma estabilidade construída sobre previsibilidade, mas enraizada em quem Deus é além daquilo que você consegue compreender. Você começa a seguir em frente sem precisar resolver tudo primeiro, porque sua confiança já não depende de conseguir explicar cada detalhe.

Reflita sobre aquilo que você tem usado como confirmação - não apenas o que aconteceu, mas como concluiu que aquilo significava que Deus estava presente. Perceba como a confiança começa a se desfazer rapidamente quando o entendimento desaparece. Essa reação revela o quanto essas duas coisas têm estado ligadas dentro de você.

E se essa tensão não for evidência de que algo deu errado, mas um convite para afrouxar essa ligação? Para considerar que a bondade de Deus permanece intacta mesmo quando suas explicações falham. Isso não elimina a perda, mas transforma a maneira como você a carrega.

A consistência de Deus não é provada pela clareza com que você consegue seguir Seus passos. Ela se torna visível com o tempo, muitas vezes apenas depois que você atravessa a confusão.

O que hoje parece incerto não está fora do controle d’Ele - apenas está além da sua compreensão.

E essas duas coisas não são a mesma coisa.

- Alvin Ellefson

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